Poesias, contos e estória nenhuma!

Wednesday, December 06, 2006

Carta sem remetente

Eu sou o tempo passado que Carolina não viu
As rosas ofertadas, em alto grau de incumbência, à Yemanjá.
Sou a felicidade que nunca vai embora, mas que deixa saudade no peito dos que a conhece.
Um jardim proibido, mas refúgio dos fortes!

Eu sou a luz que nunca se apaga, um ar não condicionado reservado a poucos.
Sou um caso de descaso do acaso de Deus.
A mais perfeita tradução dos poemas de Fernando Pessoa, contemporâneo até no que é arcaico!
Uma música que Caetano não cantou e que Chico ainda não traduziu.

Eu sou a verdadeira imagem de Eros.
A anti-filosofia antropofágica de Tarsila.
Sou um quadro de Mirò. Que poucos entendem, mas cheio de estilo, personalidade e cor.
A voz de Orfeu.
A insensatez de Rita.
Preso na cruz de Deus.
A santa e bendita ceia de Baco!

Eu sou um ser humano não explicado por Freud.
Amado e odiado como tanta gente.
Amado pelos que me cercam.
Odiado pelos que me invejam!
Sou assim, mas sou só isso.
Um ser carente. De gente, da gente...
Carta sem remetente!

Carta sem remetente

por Daniel Amaral (janeiro de 2005)

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