
Oi Tom,se lembra daquele dia que te conheci?Você, todo vestido de branco, parecia esperar alguém naquela estação...E eu, cabisbaixo, olhava o infinito das montanhas... tropecei e caí por cima de você.A rua se calou ea lua foi a única testemunha.Você se lembra da lua naquele dia?Era tão azul que clareava a cidade inteira.Parecia uma fábula.Tom,você esqueceu de comemorar o seu aniversário esse mês.Eu te liguei várias vezes, mas acho que você desligou o celular.Porque isso agora?Porque você está se refugiando?Você, por acaso, arrumou uma namorada?Ou será que a sua faculdade mental está te possuindo?O seu relógio ficou aqui em casa.A sua mala marrom está dentro do porta-malas do meu carro e a sua chave de casa está pendurada no armário da cozinha.
Tom, será que você se importa se eu usar o seu perfume hoje?_Vou sair com uma pessoa que gosta de perfume amadeirado e estou só acostumado a usar os adocicados.E você bem sabe como eu adoro causar uma boa impressão no primeiro encontro.Enfim, apareça. A qualquer hora; minha casa é toda sua..."Dias depois..."O telefone toca..._Poderia falar com o Sr. Daniel Amaral?_Sim, sou eu... A minha voz soou roca._Gostaria de informar que seu número foi encontrado na agenda de Antonio de Castro e Silva. Ele se encontra morto em frente à delegacia.
(...)Silêncio profundo!
_Como? Que brincadeira é essa?_Brincadeira nenhuma, Sr. Daniel. O Sr. Antonio se matou porque te amava!Calei-me por muitos minutos.Não chorei.Saí de casa. Fui à delegacia e me atirei em cima daquele corpo que não pertencia mais ao meu amigo Tom.Algumas poucas palavras eu consegui dizer dias depois do enterro:_Tom,meu querido.Eu também te amava.Mas você sempre se mostrou inferior a mim. E eu não estou acostumado a ser o melhor!por Daniel Amaral

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