Poesias, contos e estória nenhuma!

Tuesday, November 14, 2006

Para Hilda Hilst I


Não te assustes se acaso descobrir que sou um perverso!
Deixei escapar das mãos as tuas ancas e arrependo-me de não ter lhe enfiado o mastro pelo meio de tuas pernas!
É que eu cansei do sexo propriamente dito!
O feito dá mais prazer e provoca expulsões de líquidos de dentro da gente que nos remete ao templo dos prazeres carnais!
Não te assustes se quiseres uma hora de imprudência com minha saliva!
Eu não vou te chupar como quem chupa um picolé de limão!
As tuas "cousas" quentes me queimam a língua e,
isso mesmo, é o que me sugere escárnio!
Não quero me prender no meio de tuas coxas, sem esfregá-las no meio de minha face!
Quero mesmo é me fartar do aroma de gorgonzola que lhe assume o mastro!
Lembro-me muito bem dos tempos de réu na pré-escola
Quando uma menina loura me devorou de quatro e me lambeu a testa.
Lembro-me dos tempos no bar; eu me enfiava debaixo do balcão
Ajoelhava-me no chão e abocanhava genitálias enrigecidas!
Eu não poderia me esquecer das virtudes do leite escorrendo,
Das participações paranóicas de sons perpendiculares que espalhavam meus gemidos rua afora!

Não te assustes se quiseres comigo dormir e a minha alma florescer.
Não te assustes se acaso eu não chegar a gozar dentro de tua boca!
É que eu não quero disperdiçar saúde com transas temperamentais,
Nem tampouco, me perder nos trilhos que escorrem de seus braços!
Não tee assustes se eu me assustar quando te ver refletida no espelho do teto...
Ainda não me acostumei com a imagem que DEUS fez de mim!
A perfeita tradução Dionisíaca do regozijo perplexo!
Não te assustes... Isso é verso; Não prosa!

por Daniel Amaral
Para Hilda Hilst

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