
Saudades eu sinto do tempo que éramos eu, você
Nós dois
Duas eternas crianças escutando Maria Bethânia,
soletrando as pérolas de Fernando Pessoa...
Nunca nos preocupávamos com o excesso de poesia
nem tampouco nos dávamos conta da sinalização no trânsito!
Se o sinal estava verde, cantávamos feito pássaros livres...
Bastava que ele fechasse para nos darmos as mãos e chorarmos a agonia do engarrafamento!
Saudades eu sinto da hora do almoço.
Sempre antes de escolher o restaurante a gente se perdia em meio às artes dos muros da capital.
Fomos felizes enquanto o relógio trabalhava incessantemente!
Pena ele não ter parado...
Pena eu não ter podido te dar um último abraço...
Pena...
Sua pele clara irradiava luz e ofuscava o sol da manhã cinzenta.
Seu sorriso transparecia emoções à flor da pele e me fazia sentir uma ponta de inveja daquele que contigo dormia.
Mas nós fomos alegres nas horas certas e em diferentes proporções,
porque o que nos fazia bem era a simples cumplicidade de um para com o outro!
Infelicidade a minha ter deixado o destino te afastar de mim.
A minha voz já não é mais a mesma.
Os meus poemas são mais tristes porque você hoje não os escuta com a mesma vibração de antes!
Nada mais é como antes, nem nunca será...
A menos que Deus tenha compaixão de nós e nos presenteie com um novo encontro,
seja no céu ou na Terra!
Para mim restou a lembrança,
enquanto para você restaram as cinzas.
Para mim restaram as canções de Bethânia e os poemas de Fernando Pessoa,
enquanto para você restaram as frases de desespero e meu choro triste!
Mas tudo passa...
Se não passar, a gente faz que sim!
Chega de saudade
por Daniel Amaral (05/05/2006 15h55)
In memorian Carla Karlsburgh

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