Poesias, contos e estória nenhuma!

Tuesday, November 14, 2006

Chega de saudade


Saudades eu sinto do tempo que éramos eu, você
Nós dois
Duas eternas crianças escutando Maria Bethânia,
soletrando as pérolas de Fernando Pessoa...
Nunca nos preocupávamos com o excesso de poesia
nem tampouco nos dávamos conta da sinalização no trânsito!
Se o sinal estava verde, cantávamos feito pássaros livres...
Bastava que ele fechasse para nos darmos as mãos e chorarmos a agonia do engarrafamento!

Saudades eu sinto da hora do almoço.
Sempre antes de escolher o restaurante a gente se perdia em meio às artes dos muros da capital.
Fomos felizes enquanto o relógio trabalhava incessantemente!
Pena ele não ter parado...
Pena eu não ter podido te dar um último abraço...
Pena...
Sua pele clara irradiava luz e ofuscava o sol da manhã cinzenta.
Seu sorriso transparecia emoções à flor da pele e me fazia sentir uma ponta de inveja daquele que contigo dormia.
Mas nós fomos alegres nas horas certas e em diferentes proporções,
porque o que nos fazia bem era a simples cumplicidade de um para com o outro!
Infelicidade a minha ter deixado o destino te afastar de mim.
A minha voz já não é mais a mesma.
Os meus poemas são mais tristes porque você hoje não os escuta com a mesma vibração de antes!
Nada mais é como antes, nem nunca será...
A menos que Deus tenha compaixão de nós e nos presenteie com um novo encontro,
seja no céu ou na Terra!
Para mim restou a lembrança,
enquanto para você restaram as cinzas.
Para mim restaram as canções de Bethânia e os poemas de Fernando Pessoa,
enquanto para você restaram as frases de desespero e meu choro triste!
Mas tudo passa...
Se não passar, a gente faz que sim!
Chega de saudade

por Daniel Amaral (05/05/2006 15h55)
In memorian Carla Karlsburgh

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